Blog da Gláucia arte, cultura & eventos

Novembro 4, 2009

Poema Transitório – Mário Quintana

Arquivado em: Cultura, Geral, Poesia — Gláucia Felippe @ 2:24 pm

dois-homens-negocios_~dl_m23_0078

 

 

 

 

 

 

 

 

(…) é preciso partir
é preciso chegar
é preciso partir é preciso chegar… Ah, como esta vida é urgente!

… no entanto
eu gostava mesmo era de partir…
e – até hoje – quando acaso embarco
para alguma parte
acomodo-me no meu lugar
fecho os olhos e sonho:
viajar, viajar
mas para parte nenhuma…
viajar indefinidamente…
como uma nave espacial perdida entre as estrelas.

Junho 30, 2009

A Balada do Cárcere de Reading – Oscar Wilde

Arquivado em: Artes, Cultura, Geral, Literatura, Poesia — Gláucia Felippe @ 9:32 am

img

Ilustração de Di Cavalcanti para obra literária de Oscar Wilde 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 … O casaco escarlate não usou, pois tinha

De sangue e vinho o jeito;

E sangue e vinho em suas mãos havia quando

Prisioneiro foi feito,

Deitado junto à mulher morta que ele amava

E matara em seu leito.

Ao caminhar em meio aos julgadores, roupa

Cinza e gasta vestia;

Tinha um boné de críquete, e seu passo lépido

E alegre parecia;

Mas nunca em minha vida alguém olhar

Tão angustiado o dia.

Eu nunca vi na vida que tivesse

Tanta angústia no olhar,

Ao contemplar a tenda azul que os prisioneiros

De céu usam chamar,

E as nuvens à deriva, que iam com as velas

Cor de prata pelo ar.

Num pavilhão ao lado, andei com outras almas

Também a padecer,

Imaginando se seu erro fora grave

Ou um erro qualquer,

Quando alguém sussurrou baixinho atrás de mim:

“O homem tem que pender”.

Cristo! As próprias paredes da prisão eu vi

Girando ao meu redor,

E o céu sobre a cabeça transformou-se em elmo

De um aço abrasador;

E, embora eu fosse alma a sofrer, já nem sequer

Sentia a minha dor.

Sabia qual o pensamento perseguido

Que lhe estugava o andar,

E porque demonstrava, ao ver radiante o dia,

Tanta angústia no olhar;

O homem matara a coisa amada, e ora devia

Com a morte pagar.

Apesar disso, escutem bem todos os homens

Matam a coisa amada;

Com o galanteio alguns o fazem, enquanto outros

Com a face amargurada;

Os covardes o fazem com um beijo,

Os bravos, com a espada!

Um assassina o seu amor na juventude,

Outro, quando ancião;

Com as mãos da Luxúria este estrangula, aquele

Empresta do Ouro a mão;

Os mais gentis usam a faca, porque frios

Os mortos logo estão.

Este ama pouco tempo, aquele ama demais;

Há comprar, e há vender;

Uns fazem o ato em pranto, enquanto que um suspiro

Outros não dão sequer.

Todo homem mata a coisa amada!- Nem por isso

Todo homem vai morrer.

Março 22, 2009

Uma vida – Luisa Abreu

Arquivado em: Design no Blog, Fotografia, Geral, Poesia — Gláucia Felippe @ 1:32 am

Bom final de semana!

Foto e poema: Luisa Abreu

luisa

UMA VIDA

De que vale uma vida,
Senão de momentos que plantamos no mar?
De vale uma vida,
Senão do que se inscreve nesta saudade de lutar?
De que vale uma vida,
Se não podermos dos nossos medos soltar
Toda a eloquência que nos aperta,
Toda a prepotência com que nos desperta
O grito de quem manda?
De que vale uma vida
Se não encontrarmos as cores da nossa demanda?

De que vale uma vida,
Se não for a magia de uma partilha sentida?
De que vale uma vida,
Se não pudermos hoje abraçar o amanhã?
De que vale uma vida
Que não seja firme em terra chã?
De que vale uma vida,
Perante a dor da ausência e da partida?
De que vale uma vida
Se não fizermos da noite a beleza do dia adormecido?
De que vale a vida
Se não puder partilhar a minha luz contigo?
E, de que valerá andar com o corpo durido
Se, nunca nos apercebemos desse abraço amigo?

Luisa Abreu

Março 15, 2009

Metade

Arquivado em: Artes, Fotografia, Geral, Poesia — Gláucia Felippe @ 3:22 am

Agradeço ao meu amigo e fotógrafo Carlos Tavares  por me ceder este maravilhoso trabalho.

Bom domingo!!!

Foto: Carlos Tavares

carlos-tavares

METADE – Ferreira Gullar

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca

Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante

Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos

Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada

Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância

Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais

Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer

Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

 

 

Fevereiro 13, 2009

Nas asas do pensamento – Luisa Abreu

Arquivado em: Artes, Fotografia, Geral, Poesia — Gláucia Felippe @ 5:38 pm

 

Foto e poema: Luisa Abreu

Esta não é “apenas” uma foto, “apenas” um poema…isso é uma manifestação pública de gratidão, admiração e “muita energia positiva”, que Luisa Abreu me traz sempre.

Obrigada portuguezinha por ter já fazer  parte de nossas vidas.

luisa-abreu

NAS ASAS DO PENSAMENTO

Salto para lá de mim
Deixando que, apesar do frio sem fim,
Entre as cores de um calor
Que se desenlaçam em vôos e amor.
Salto com a força da minha verdade,
Salto em nome da minha liberdade
E por tudo o que conquisto, partilho e sou,
Entre danças , sonhos e o que o meu olhar alcançou…

Nas asas do pensamento
Vivo sonhos, crio histórias,
Risco papéis traço glórias
E sei sempre reinventar o meu momento!
Nas asas do pensamento
Sou loucura, sou risos, sou o que sou mas saudável,
Nas asas do pensamento,
Sou o perfume exótico de um mar arável,
Nas asas do pensamento
Dou tudo o que sou num salto amigável…

Luisa Abreu

Janeiro 25, 2009

Marcia Fonseca – Molha-me

Arquivado em: Fotografia, Poesia — Gláucia Felippe @ 6:20 am

Bom domingo a todos, especialmente à você Marcia

Foto e poema de Marcia Fonseca

marcia

MOLHA-ME…

Deito em tua cama,
roupa de sedução,
pensamento de desejo,
molha-me de prazer,

Deixes escorrer vinho tinto
pela tua boca,
em meu corpo,
tome-o em mim,
tinja-me de cor vermelha,
de sangue doce,
alcoólico, alucinante.

Entorpeças meus sentidos,
Faças de mim tua bebida,
de momentos e de êxtase,
brinde com corpos,
ingeridos pelo extinto,
molhados pelo vinho,
pelo suor do amor.

Janeiro 11, 2009

Solitário – Luisa Abreu

Arquivado em: Fotografia, Poesia, cronicas e contos. — Gláucia Felippe @ 6:28 am

Luisa Abreu é nascida e mora em Portugal. É  fotógrafa, designer e escritora.

Obrigada Luisa, por enfeitar meu humilde Blog, com sua foto e seu poema.

luiza-abreu

Solitário

Entre as nuvens que passam esvoaçantes,
E os pássaros que deixam gritos errantes,
Fico o vento solitário,
Barco refractário
De um momento só,
Um uivo dado nas águas gélidas sem dó
Apesar do tempo que dança e balança
Entre um suspiro de esperança
E o seu sombrear solitário
Que se deixa na paz permanecer,
Solidário
De um momento de ser entre o viver
E o reviver de textos escritos nas suas linhas
Discretas e concretas que, nas entrelinhas
Deixa inscrito a sua verdadeira forma de ser…

Solitário pensamento,
Doce paz de um verdadeiro momento
Onde relaxa o sonho e o espírito da vida,
Linhas que deixam a sua história sentida!

Luisa Abreu

 

Blog no WordPress.com.