Fonte: Folha de S. Paulo
Dégradé, jogos de luz e sombra. A guia turística aponta para as pinturas, chama atenção para assinaturas e técnicas. Não estamos num museu, muito menos vendo quadros. São grafites na avenida Doutor Arnaldo, zona oeste de São Paulo.
Entre buzinas e ônibus barulhentos, o grupo de dez turistas atravessa a pé o bairro de Pinheiros, em direção à Vila Madalena, caçando desenhos com ajuda da guia Yara Amaral, 26, mais conhecida como Yá!, grafiteira há seis anos e ex-aluna de artistas famosos do movimento, como Zezão e Boleta.

A ideia é sensibilizar o olhar para a cidade”, explica Leandro Herrera, sócio-fundador da Soul Sampa, agência de turismo que organiza passeios temáticos pela cidade e, desde abril, começou a explorar a fama do grafite paulistano, assim como outras duas empresas.
Pelos 5 km de asfalto, surgem trabalhos de artistas mais conhecidos, como Titi Freak e Rui Amaral, além de nomes da nova geração, como Zito, que mistura grafite e fotografia numa obra localizada sob a ponte da r. João Moura. Yara também fala das gangues de pichadores, como os coletivos Vicio e Sustos, e suas filosofias de rua.
Num “grapicho” –mix de grafite e pichação– na rua Cardeal Arcoverde, por exemplo, letras em tons de azul e contornos elaborados fazem mistério sobre o que, afinal, estaria escrito ali. “Às vezes nem a gente entende”, diz Yara sobre o desenho pintado em 2008, provavelmente de forma ilegal.
“Da mesma forma que os intelectuais criam uma linguagem que ninguém entende, eles [grafiteiros, pichadores] criaram a deles. Eles marginalizam quem os marginaliza.”
Beco do Batman
Enquanto a turma caminha com suas câmeras fotográficas, Leandro e um colega ficam de olho para ninguém ficar para atrás. O grupo é composto só de mulheres, todas estrangeiras, que moram ou estudam no país. O passeio dura cinco horas, incluindo um workshop de spray ao final e pausas para almoçar e tirar fotos, especialmente na escadaria da rua Cristiano Viana e no Beco do Batman, uma longa viela de paralelepípedos na Vila Madalena, ambos locais tomados pelos grafiteiros desde os anos 80.

Do grupo de americanas, argentinas e europeias, todas querem ver osgêmeos, dupla formada pelos irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo, que expõe em galerias de arte mundo afora e é reconhecida pelos desenhos de bonecos amarelos.

No Minhocão
Mas nenhuma delas consegue identificar a assinatura elaborada em amarelo que encontramos pelo caminho, no alto de um muro. O “bomb” -letras sem muitos detalhes, só com contorno e preenchimento– foi feito neste ano pelo coletivo Vidaloka, do qual os dois participam, e, se olhado com calma, quer dizer “osgêmeos”.



Isto é lindo, nossa urbana arte finalmente sendo divulgada. Parabéns ao Blog!
Comentário por Anônimo — Julho 7, 2009 @ 6:38 pm |
Blog de carater urbano ou não. É arte gostem ou não. Valeu pela divulgação em toda extensão do que se chama arte.
Quem pode julgar?
Parabéns Glaucia!
Comentário por Anônimo — Julho 7, 2009 @ 6:40 pm |
Já vi mesmo neste blog a divulgação de grafite. Show de bola! Os gemeos são o máximo!
Comentário por Anônimo — Julho 7, 2009 @ 6:41 pm |
Bárbara esta atitude de São Paulo, que está estendo-se à Campinas. Maravilha a titude!
Comentário por Anônimo — Julho 9, 2009 @ 3:28 pm |
muito legal tudo de Bom…..
Comentário por Anônimo — Outubro 7, 2009 @ 7:09 pm |
e muinto bom oque voces fazem
Comentário por ronan — Outubro 21, 2009 @ 5:19 am |