
Ilustração de Di Cavalcanti para obra literária de Oscar Wilde
… O casaco escarlate não usou, pois tinha
De sangue e vinho o jeito;
E sangue e vinho em suas mãos havia quando
Prisioneiro foi feito,
Deitado junto à mulher morta que ele amava
E matara em seu leito.
Ao caminhar em meio aos julgadores, roupa
Cinza e gasta vestia;
Tinha um boné de críquete, e seu passo lépido
E alegre parecia;
Mas nunca em minha vida alguém olhar
Tão angustiado o dia.
Eu nunca vi na vida que tivesse
Tanta angústia no olhar,
Ao contemplar a tenda azul que os prisioneiros
De céu usam chamar,
E as nuvens à deriva, que iam com as velas
Cor de prata pelo ar.
Num pavilhão ao lado, andei com outras almas
Também a padecer,
Imaginando se seu erro fora grave
Ou um erro qualquer,
Quando alguém sussurrou baixinho atrás de mim:
“O homem tem que pender”.
Cristo! As próprias paredes da prisão eu vi
Girando ao meu redor,
E o céu sobre a cabeça transformou-se em elmo
De um aço abrasador;
E, embora eu fosse alma a sofrer, já nem sequer
Sentia a minha dor.
Sabia qual o pensamento perseguido
Que lhe estugava o andar,
E porque demonstrava, ao ver radiante o dia,
Tanta angústia no olhar;
O homem matara a coisa amada, e ora devia
Com a morte pagar.
Apesar disso, escutem bem todos os homens
Matam a coisa amada;
Com o galanteio alguns o fazem, enquanto outros
Com a face amargurada;
Os covardes o fazem com um beijo,
Os bravos, com a espada!
Um assassina o seu amor na juventude,
Outro, quando ancião;
Com as mãos da Luxúria este estrangula, aquele
Empresta do Ouro a mão;
Os mais gentis usam a faca, porque frios
Os mortos logo estão.
Este ama pouco tempo, aquele ama demais;
Há comprar, e há vender;
Uns fazem o ato em pranto, enquanto que um suspiro
Outros não dão sequer.
Todo homem mata a coisa amada!- Nem por isso
Todo homem vai morrer.



Muito legal seu blog, respira arte.
Obrigado pelos elogios ao meu trabalho.
abs,
Comentário por Alan Souto Maior — Julho 1, 2009 @ 6:32 am |
Isto é lindo demais. Adoro Oscar Wilde
Comentário por Marisa Pereira Couto — Julho 1, 2009 @ 1:37 pm |
[...] (1916), no mesmo ano em que expôs no Salão dos Humoristas uma série de ilustrações sobre a Balada do Cárcere de Reading, de Oscar Wilde. Começou a pintar (1917) sob influência do art [...]
Pingback por Di Cavalcanti « Blog da Gláucia arte, cultura & eventos — Julho 2, 2009 @ 11:21 am |
De lapis Partido,
A força que desta mão escapa,
Ressalta e rola em contramão,
Não, não se vende mais, se dá,
Mas somente a quem a agarra,
Mente,sim,mas para ter atenção,
Enrosca-se e transforma-se,
De víbora anã,em imensa Boa,
De acto inacabado parte e voa,
Tal qual Dragão alado …
Lapis partido
Jorge Santos
Comentário por jorge — Agosto 13, 2009 @ 11:09 am |