
Em 1934, Salvador Dali, pintor catalão radicado em Paris é uma das figuras líderes do grupo surrealista, expõe numa galeria de Nova Iorque, o quadro “A persistência da memória”, o que se tornaria num dos momentos fundamentais da sua carreira artística, responsável pelo incremento da sua notoriedade pública. De fato, os relógios moles – designação muitas vezes atribuída a este quadro – transformaram-se de imediato num dos ícones mais fortes e característicos da sua obra.
Na tela encontram-se representados três relógios que marcam diferentes horas tendo como fundo a paisagem de Porto Lligat, localizado no norte de Espanha, (memória de infância de Dali). Segundo o próprio autor, a solução formal dos relógios derivam de um queijo camembert que Dali se encontrava a observar enquanto pintava. As suas formas sensuais têm uma evidente conotação sexual, nomeadamente o que se encontra no centro do quadro, estendido sobre uma pedra que simula o retrato do artista.
Dali via os relógios como instrumentos normalizados e exatos que traduziam de forma objetiva a passagem do tempo. O fato de os dotar de formas orgânicas remete-os para o universo de prazer, recordando a dimensão fugidia do tempo e o sentido de ambiguidade que a evolução temporal introduz pelo cruzamento da percepção da realidade com a casualidade e inexplicabilidade da memória.
Esta pintura traduz o interesse do pintor pelas conquistas da ciência moderna, cruzando teorias mais abstratas de física, nomeadamente a relatividade de Einstein, que colocou em causa a ideia de espaço e tempo fixos, com as pesquisas de Freud relativamente ao inconsciente e à importância dos fenômenos dos sonhos. A duplicidade de sentido das imagens e as inúmeras interpretações que promovem assim como a tendência para a criação de cenas absurdas repletas de signos indecifráveis, levaram a Dali a designar esta forma de arte de crítica paranóica, em tudo oposta a uma visão racional do mundo.
De um ponto de vista técnico, esta pintura, assim como grande parte das criações de Dali, perseguem um enorme virtuosismo e meticulosidade no desenho das formas e na representação dos pormenores, com objetivo de obter atmosferas dotadas de grande realismo, daí o frequente alinhamento desta fase criativa com o grupo dos surrealistas ilusionistas ou veristas.
Contém uma grande quantidade de referências de caráter historicista, particularmente as referentes à pintura maneirista ou à enigmática e fantástica obra do flamengo Jerónimo Bosch.
O quadro Persistência da Memória (também conhecida por Relógios Moles), foi pintado a óleo, aplicado sobre tela com 24,1 por 33 cm. Encontra-se exposto no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque.
Salvador Dalí. In Infopédia Porto: Porto Editora, 2003-2004
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$salvador-dali>.



Oi Glaucia, adorei o teu texto sobre o Dali. Na faculdade fiz um trabalho sobre o tempo em que nos mandavam fazer uma pintura a representar cada mês em que o tema tempo era imperativo e tinha que ser percebido por todos que olhassem as figuras. O meu trabalho foi inspirado nesse quadro mas contento outros motivos e outro tipo de relógios e, evidentemente, lá aparecia essa fórmula de alguns serem “moles”. Gostei muito de explorar o tema e ainda hoje os guardo. Mas foi editado um calendário na época com os mesmos motivos mas para a escola claro. Ver isto, além de me fazer relembrar toda a teoria relacionada com a pintura de Dali, também me trouxe um pouco de nostalgia. brigadão pelo momento. Espero que esteja tudo bem contigo. MUITA LUZ POSITIVA! BJOKAS****
Comentário por Luisa Abreu — Junho 29, 2009 @ 3:48 am |
OLA ESTOU NA ESCOLA FAZENDO UMA PESQUISA SOBRE ESTE TEMA ADOREI O SEU COMENTARIO AMO VÇ DE+..
BEIJOS CONTINUE FAZENDO SUÇESSO..
Comentário por DANIELLY RODRIQUES DOS SANTOS — Setembro 11, 2009 @ 5:48 pm |
Agradeço a descrição desta incrível obra. Será útil em meio trabalho para a faculdade. Parabéns!
Comentário por Filipe — Novembro 3, 2009 @ 9:33 pm |