Blog da Gláucia arte, cultura & eventos

fevereiro 8, 2010

Em 544 páginas, livro reúne os mil quadros mais famosos do mundo

Arquivado em: Artes, Cultura, Literatura — Gláucia Felippe @ 2:07 pm
Coletânea reúne os 1000 quadros mais admirados no mundo inteiro

Imagine reunir em um único livro imagens dos mil quadros mais admirados do mundo. Nas 544 páginas do completo e sofisticado “1000 Obras-Primas da Pintura” (WMF Martins Fontes, 2007), além de reproduções das principais criações de todos os tempos, também há breves biografias dos artistas mais influentes de cada período, do século 13 aos dias atuais.

Das primeiras manifestações do movimento renascentista na Itália até as experimentações ousadas dos expressionistas abstratos e da pop art nos EUA, os leitores poderão ver obras dos italianos Duccio di Buoninsegna (1255-1319) e Andrea del Sarto (1486-1530), do holandês Vincent Van Gogh (1853-1890) e dos franceses Claude Monet (1840-1926) e Henri Matisse (1869-1954). Ao todo, são minibiografias dos cem mais importantes nomes da pintura.

Todos estes tesouros da cultura vêm acompanhados de informações sobre seus respectivos contextos históricos, com legendas comentadas, relatos dos principais acontecimentos que determinaram as tendências do mundo artístico, técnicas mais significativas e inovações de cada época.

Vale a pena conferir.

janeiro 19, 2010

Passagem Literária da Consolação reabre com arte contemporânea – “Ser e não ser”

Arquivado em: Artes, Cultura, Exposição, Geral — Gláucia Felippe @ 10:42 am

“Ser e Não Ser” é o nome da exposição de pinturas que marca a reabertura da Passagem Literária da Consolação, reformada recentemente. Nesta mostra, que fica em cartaz até 11 de fevereiro, Thiago Marcelo Giannini apresenta sua arte contemporânea, inspirada em escolas como o cubismo e o impressionismo.

Elaborados com técnica mista, à base de óleo sob tela, giz pastel oleoso, seco e carvão, as telas mostram imagens abstratas e sobreposição de rostos, todas trabalhadas com contraste de cores e formas, contrapondo força e leveza.

A exposição é organizada pela Associação Via Libris de Livreiros, que reúne nove vendedores de livros usados, responsável pela banca de livros do espaço, pela manutenção do local e pela programação cultural da passagem subterrânea, que liga as calçadas opostas da larga avenida.

 

Passagem Literária da Consolação – r. da Consolação, esquina com a avenida Paulista (metrô Consolação), s/ nº, região central, São Paulo, SP. S/ tel. Seg. a sex.: 7h às 22h. Sáb., dom. e feriado: 10h às 22h. Até 11/2. Grátis. Classificação etária: livre.

janeiro 17, 2010

Mosteiro de São Bento abre alas secretas em São Paulo

Arquivado em: Artes, Cultura, Eventos, Exposição, Geral — Gláucia Felippe @ 5:13 pm

 Fonte: Folha de S.Paulo

O Mosteiro de São Bento sempre foi um marco histórico misterioso em São Paulo por uma razão simples: a maior parte das alas é fechada ao público e, quem vê a igreja, fica imaginando as preciosidades escondidas.

Parte desse mistério será revelado a partir do próximo dia 25, quando áreas restritas do mosteiro serão abertas pela primeira vez para uma exposição de arte contemporânea, com obras de Carlos Eduardo Uchôa, José Spaniol e Marco Giannotti.

Serão abertas salas do colégio e da faculdade, o parlatório do mosteiro e a capela do colégio, que está fechada há tanto tempo que os monges nem lembram quando foi usada pela última vez. O espaço mais restrito do mosteiro, o claustro, permanecerá fechado, mas de uma das salas da exposição será possível espiar o jardim interno, um dos locais que os monges usam para meditar.

A joia da coroa da abertura é a capela do colégio, que fica no terceiro andar do mosteiro e tem uma série de pinturas finalizadas em 1937 pelo austríaco Thomas Scheuchl. “É inacreditável que essa capela fique fechada, mas não temos estrutura para receber visitas”, diz Uchôa, artista que tornou-se monge e é reitor do colégio e da faculdade São Bento.

O mosteiro ocupa um prédio em estilo eclético, construído entre 1910 e 1914, mas está no mesmo local desde 1600. “É a ordem religiosa que está no mesmo local há mais tempo na história de São Paulo”, diz Nestor Goulart Reis Filho, arquiteto especializado na história da cidade. Só uma igreja que permanece no mesmo local é mais antiga que a de São Bento, segundo ele. É a da Santo Antonio, cujos registros mais antigos são de 1592.

Era esse confronto com a história que três artistas buscam. “O convento não é o cubo branco das galerias ou dos museus. É um espaço carregado de história, o que cria uma tensão quando se mostra arte contemporânea aqui”, diz Gianotti.

Já o mosteiro busca aprofundar um diálogo com a cidade que foi interrompido, segundo o abade Mathias Tolentino Braga –abade é o pai espiritual do mosteiro. “A ideia é reconstruir a produção cultural do mosteiro e restabelecer o diálogo com a cidade, a cidadania e a estética”, diz.

Nos anos 60, o mosteiro tinha um cineclube que ficou famoso por exibir filmes do sueco Ingmar Bergman. Antes, teve um grupo teatro que revelou o ator Sérgio Cardoso.

Uma instalação de Uchôa que ocupará a capela do colégio dá uma ideia do tipo de diálogo que o mosteiro quer travar com a cidade. Entre pinturas de Abrahão e de São Marcos, Uchôa projetará imagens que gravou com meninos da cracolândia. O trabalho chama-se “Redenção”. “Os meninos da cracolândia somos nós e as pessoas parecem não perceber isso”, diz Uchôa.

janeiro 14, 2010

Exposição fotográfica de Maureen Bisilliat chega a São Paulo

Arquivado em: Artes, Cultura, Eventos, Exposição, Fotografia — Gláucia Felippe @ 5:32 pm

Fonte: UOL

Na exposição foram reunidas mais de 250 imagens editadas e selecionadas, com a colaboração dos curadores do Instituto, pela fotógrafa inglesa radicada no Brasil. Entre seus ensaios mais conhecidos estão os que retratam o universo de Guimarães Rosa, os índios do Xingu e os sertões de Euclides. A mostra também abrange os ensaios Pele Preta, Romeiros e as viagens ao altiplano boliviano, à China e ao Japão.

 O visitante poderá também confrontar a produção fotográfica – que pertence ao Instituto desde 2003 e pode ser em parte acessada em site especial (clique aqui para ver) – e editorial de Maureen Bisilliat. A curadoria apresenta tanto a fotógrafa como a editora de imagens e textos reunidos nas diversas publicações que produziu ao longo da carreira. 
 
 Livro de ensaios

Paralelamente à exposição, o Instituto lança Maureen Bisilliat – Fotografias (304 págs., R$ 140,00, clique aqui para comprar), livro que reconstrói a trajetória de Maureen ao longo de 50 anos de atividade criativa. A obra, editada pela própria fotógrafa, reúne 12 ensaios fotográficos. As imagens são combinadas a textos de João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Jorge Amado, Euclides da Cunha, entre outros. O livro traz também uma biografia de Maureen – cuja vida foi reconstruída pela escritora e jornalista Marta Góes –, uma antologia visual das paisagens, pessoas e objetos que a marcaram ao longo da vida, uma reunião das melhores críticas já escritas sobre seu trabalho e uma bibliografia comentada pela autora – fonte de referências sobre suas publicações, exposições, vídeos e filmes.

Maureen Bisilliat: fotografias

 De 8 de outubro de 2009 a 17 de janeiro de 2010
De terça a sexta, das 13h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Entrada franca. Classificação livre.
De terça a sexta, às 17h, visita guiada pelas exposições. Ponto de encontro na recepção.
Visitas monitoradas para escolas: agendar pelo telefone 21 3284-7400. 

Em São Paulo

De 22 de fevereiro de 2010 a 4 de julho

Galeria do Sesi – Av. Paulista

dezembro 29, 2009

Feliz Ano Novo! 2010 com muita esperança

Arquivado em: Eventos, Geral, Literatura, cronicas e contos. — Gláucia Felippe @ 8:34 am

Mario Quintana

Texto extraído do livro “Nova Antologia Poética“, Editora Globo – São Paulo, 1998, pág. 118.

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…

dezembro 23, 2009

Feliz Natal !!!!!

Arquivado em: Geral — Gláucia Felippe @ 11:29 am

dezembro 15, 2009

Frases e fases… Chico Buarque de Holanda

Arquivado em: Cultura, Geral, Literatura — Gláucia Felippe @ 12:04 am

Foto: Internet (google)

 

 

 

 

 

 

 

 

 Ouça um bom conselho que eu lhe dou de graça… inútil dormir que a dor não passa. Chico Buarque de Holanda

dezembro 14, 2009

Crônica nº 1 – Rachel de Queiroz – Uma mulher atual….lindo demais

Arquivado em: Artes, Cultura, Geral, Literatura, cronicas e contos. — Gláucia Felippe @ 9:01 pm

Fonte: Releituras

Foto: Eduardo Simões

Esta é primeira crônica escrita por Rachel de Queiroz para a coluna “Ultima Página” na revista “O Cruzeiro”, em 01/12/1945. A escritora, que iniciou assinando “Raquel de Queiroz”, permaneceu na revista quase até suas portas serem fechadas. Esta preciosidade faz parte dos “Arquivos Implacáveis.

 

 

Tanto neste nosso jogo de ler e escrever, leitor amigo, como em qualquer outro jogo, o melhor é sempre obedecer às regras. Comecemos portanto obedecendo às da cortesia, que são as primeiras, e  nos apresentemos um ao outro. Imagine que pretendendo ser permanente a página que hoje se inaugura, nem eu nem você, — os responsáveis por ela, — nos conhecermos direito. É que os diretores de revista, quando organizam as suas seções, fazem como os chefes de casa real arrumando os casamentos dinásticos: tratam noivado e celebram matrimônio à revelia dos interessados, que só se vão defrontar cara a cara na hora decisiva do “enfim sós”.

Cá estamos também os dois no nosso “enfim sós” — e ambos, como é natural, meio desajeitados, meio carecidos de assunto: Comecemos pois a falar de você, que é tema mais interessante do que eu. Confesso-lhe, leitor que diante da entidade coletiva que você é, o meu primeiro sentimento foi de susto —, sim, susto ante as suas proporções quase imensuráveis. Disseram-me que o leitor de O CRUZEIRO representa pelo barato mais de cem mil leitores, uma vez que a revista põe semanalmente na rua a bagatela de 100.000 exemplares.

Sinto muito, mas francamente lhe devo declarar que não estou de modo nenhum habituada a auditórios de cem mil. Até hoje tenho sido apenas uma autora de romances de modesta tiragem; é verdade que venho há anos freqüentando a minha página de jornal; mas você sabe o que é jornal: metade do público que o compra só lê os telegramas e as notícias de crimes e a outra lê rigorosamente os anúncios. O recheio literário fica em geral piedosamente inédito. E agora, de repente, me atiram pelo Brasil afora em número de 100.000! Não se admire portanto se eu me sinto por ora meio “gôche”.

Dizem-me, também que você costuma dar sua preferência a gravuras com garotas bonitas a contos de amor, a coisas leves e sentimentais. Como, então, se isso não é mentira, conseguirei atrair o seu interesse? Pouco sei falar em coisas delicadas, em coisas amáveis. Sou uma mulher rústica,muito pegada à terra, muito perto dos bichos, dos negros, dos caboclos, das coisas elementares do chão e do céu. Se você entender de sociologia, dirá que sou uma mulher telúrica; mas não creio que entenda. E assim não resta sequer a compensação de me classificar com uma palavra bem soante.

Nasci longe e vivo aqui no Rio, mais ou menos como num exílio. Me consolo um pouco pensando que você, sendo no mínimo cem mil, anda espalhado pelo Brasil todo e há de muitas vezes estar perto de onde estou longe; e o que para mim será saudosa lembrança, é para você o pão de cada dia. Seus olhos muitas vezes ambicionarão isto que me deprime, — paisagem demais, montanha demais, panorama, panorama, panorama. Tem dia em que eu dava dez anos de vida por um pedacinho bem árido de caatinga, um riacho seco, um marmeleiral ralo, uma vereda pedregosa, sem nada de arvoredo luxuriante, nem lindos recantos de mar, nem casinhas pitorescas, sem nada deste insolente e barato cenário tropical. Vivo aqui abafada , enjoada de esplendor, gemendo sob a eterna, a humilhante sensação de que estou servindo sem querer como figurante de um filme colorido. Até me admira todo o mundo do Rio de Janeiro não ser obrigado a andar de “sarong”. Mas, cala-te boca; para que fui lembrar? Capaz de amanhã sair uma lei dando essa ordem.

Apesar entretanto de todas essas dificuldades, tenho a esperança de que nos entenderemos. Voltando à comparação dos casamentos de príncipe, o fato é que as mais das vezes davam certo. Não viu o do nosso Pedro II com a sua Teresa Cristina? Ele quase chorou de raiva quando deu de si casado com aquele rosto sem beleza, com aquela perna claudicante; porém com o tempo se acostumaram, se amaram, foram felizes, e ela ganhou o nome de Mãe dos Brasileiros. Assim há de ser conosco, que eu, se não claudico no andar, claudico na gramática e em outras artes exigentes. Mas sou uma senhora amorável, tal como a finada imperatriz, e de alma muito maternal. A política é que às vezes me azeda mas, segundo o trato feito, não discorreremos aqui de política. Em tudo o mais sempre me revelo uma alma lírica, cheia de boa vontade; eu sou triste um dia ou outro, não sou mal humorada nunca. E tenho sempre casos para contar, caos de minha terra, desta ilha onde moro; mentiras, recordações, mexericos, que talvez divirtam seus tédios.

Você irá desculpando as faltas, que eu por meu lado irei tentando me adaptar aos seus gostos. Quem sabe se apesar de todas as diferenças alegadas temos uma porção de coisas em comum?

Vez por outra hei de lhe desagradar, haveremos de divergir; ninguém é perfeito neste mundo e não sou eu que vá encobrir meus senões. Tenho as minhas opiniões obstinadas — você tem pelo menos cem mil opiniões diferentes — há, pois, muito pé para discordância.

Mas quando isso suceder, seja franco, conte tudo quanto lhe pesa. Ponha o amor próprio de lado, que lhe prometo também não fazer praça do meu. Lembre-se de que há um terreno de pacificação, um recurso extremo, a que sempre poderemos recorrer: fazemos uma trégua no desentendimento, procurando esquecer quem dos dois tinha ou não tinha razão; damos o braço e saímos andando por este mundo, olhando tudo que há nele de bonito ou de comovente: os casais de namorados nos bancos de jardim, o garotinho cacheado que faz bolos na areia da praia, a luz da rua refletida nas águas da baía, ou simplesmente o brilho solitário da estrela da manhã.

Depois disso, não precisaremos sequer de fazer as pazes; nos seus cem mil variadíssimos corações, como no meu coração único só haverá espaço para amizade e silêncio.

Há anos sei que é infalível o resultado da estrela da manhã.

dezembro 13, 2009

Jingle Bells

Arquivado em: Geral — Gláucia Felippe @ 12:24 pm

Arquivado em: Geral — Gláucia Felippe @ 12:21 pm

dezembro 1, 2009

Anorexia Nervosa é tratada em livro depoimento de Fernanda do Valle

Arquivado em: Geral — Gláucia Felippe @ 7:27 pm

Vencer os desafios e superar as adversidades de uma doença que acomete silenciosamente  milhares de mulheres: a anorexia nervosa. A obsessão pela perda de peso virou doença, mas Fernanda do Valle relata no livro “Eu, ele e a Enfermeira”, lançado pela Clio Editora sua luta e vitória contra a anorexia.

 O depoimento traz a proposta de conscientização e de alerta às pessoas que em busca de um padrão de beleza imposto pela sociedade submetem-se aos mais variados tipos de dietas e  ultrapassam a linha do ideal para a obsessão.

 O livro escrito em formato depoimento expõe as dificuldades de aceitação, as fases da doença, a necessidade do apoio familiar e a recuperação de Fernanda que aos 30 anos, aceitou se cuidar e tratar desse distúrbio alimentar que a acompanhava desde os 12. Fernanda não desistiu da vida.

Durante sua internação para tratamento da doença, a autora relata em trechos do livro sua preocupação exagerada com o peso, a distorção da imagem corporal, sua dificuldade em aceitar o tratamento e a luta intensa contra os pensamentos obsessivos pela magreza. “A ideia do livro não é apenas relatar as dificuldades em superar a doença, mas sim alertar e esclarecer para familiares e portadores da anorexia nervosa pontos que levam a desnutrição e pode causar a morte caso não seja tratada”, relata Fernanda do Valle.

O lançamento oficial do livro acontece na livraria Saraiva MegaStore do Shopping Iguatemi Campinas no dia 03/12 (quinta-feira) a partir das 19h.

Serviço:

Título: Eu, ele e a enfermeira… na luta contra a anorexia

Autora: Fernanda do Valle

160 páginas

Formato: 14 X 21 cm

ISBN: 978-85-7831-025-7

Preço: R$ 29,90

Sobre a autora: Fernanda do Valle nasceu no Rio de Janeiro em 1978 e reside em Campinas desde 1996. Em 2008 detectou e aceitou seu distúrbio alimentar. Atualmente dedica parte de seu tempo fazendo palestras em escolas, alertando os jovens sobre os problemas e os perigos da anorexia nervosa.

novembro 29, 2009

Exposição de Fernando Fragoso no Tênis Clube

Arquivado em: Artes, Cultura, Eventos, Exposição, Geral — Gláucia Felippe @ 1:43 pm

Pequena Homenagem

Arquivado em: Geral — Gláucia Felippe @ 1:22 pm

novembro 28, 2009

Exposição em SP traz telas dos “novos” Santos, em seguida vai à Portugal

Arquivado em: Artes, Cultura, Eventos, Exposição, Geral — Gláucia Felippe @ 6:05 pm

 Todos os Santos – do Sagrado ao Profano
 
A exposição itinerante Todos os Santos – do Sagrado ao Profano abriu suas portas ao público pela primeira vez em São Paulo nesta sexta-feira (27), na Casa de Portugal, centro da capital paulista. As 28 obras, de 28 artistas, trazem santos criados pelos próprios pintores. A ideia era criar um santo que não existisse, “pessoal e intransferível”, que fosse pertinente à obra ou a vida de cada artisita. A mostra fica na cidade até 6 de janeiro de 2010 e em seguida viaja para Portugal, onde ficará exposta na cidade de Cintra. Exposta pela primeira vez em São Thomé das Letras, Minas Gerais, em 2006, a exposição contava com apenas 12 artistas.
Em 2008 seguiu para São Carlos, interior de São Paulo, e à coleção já existente mais 12 obras, de artistas diferentes, foram adicionadas. Além das criações, os organizadores consideraram também os santos que, mesmo não fazendo parte de nenhuma religião, estão na boca do povo, que os invocam nas muitas situações cotidianas, como a Santa Ignorância, Santa Paciência, Santa do Pau Oco e o São Nunca. Todos os artistas realizaram suas obras em telas verticais de 0,70cm x 100cm e criaram também uma “oração” para acompanhar seu seu santo – os textos foram publicados em “santinhos” distribuídos no local.

Santa do Pau Oco - Ivald Granato

 
 Serviço:

 Todos os Santos – do Sagrado ao Profano

 Local: Casa de Portugal
Av. Liberdade 602 / Centro / São Paulo
Tel.:(11) 3209.5554 / www.casadeportugalsp.com.br
Data: De 26 de novembro de 2009 a 06 de janeiro de 2010
Horário de Visitação: De segunda à sexta das 10h às 17h
Ingressos: Gratuito
Censura: Livre
Estacionamento: R$ 10,00 (com manobrista)

novembro 22, 2009

Novo Acordo Ortográfico – Por Pedro Silva (Portugal)

Arquivado em: Cultura, Geral, Literatura — Gláucia Felippe @ 11:38 am

Ao contrário do que muitos saberão, a discussão para um acordo ortográfico que unificasse a vertente idiomática dos vários países de língua oficial portuguesa é assaz antiga. Um longo caminho percorrido que, ao que parece, terá agora obtido o consenso. Vejamos como tal foi possível.

O Acordo
Apesar de todo o mediatismo que a crise económica tem tido, a par da profusão de notícias que igualmente abordam as mais diversas competições desportivas, a cultura tem sido, recentemente, também alvo do interesse da comunicação social. Na realidade, não se trata do lançamento de mais um best-seller nem tampouco o outorgar do Prémio Nobel da Literatura. Curiosamente, todo o alarido surge em redor de um Tratado Internacional. Estranho? Nem por isso. Trata-se do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e, efectivamente, irá afectar directamente o quotidiano de mais de 200 milhões de pessoas – mais ou menos o universo de falantes desta maravilhosa língua que une países em todo o globo.
Como poucas vezes acontece, este novo acordo teve o condão de despertar interesse dos mais diversos quadrantes, desde a política à vida universitária, assim como desde o comum cidadão ao intelectual. Para alguns está em causa a preservação da tradição linguística, ao passo que, do lado de lá da barricada, encontram-se os que defendem de forma acérrima que, para evitar que o português se torne uma língua defunta é crucial que se modernize.
Mas concentremo-nos nos pontos principais, de modo a que possamos tirar as nossas próprias ilações. Basicamente, este Acordo Ortográfico pode ser definido como um tratado que tem em vista a unificação da língua falada, e escrita, nos diversos países onde o português é o idioma oficial, a saber: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste (neste caso, apenas em 2004, após ter obtido a independência).
A assinatura deste acordo teve lugar em Lisboa, a 16 de Dezembro de 1990, numa reunião alargada que teve a presença dos países acima citados, excepto o caso de Timor pelas razões políticas conhecidas de todos.
Estava em causa, primordialmente, a unificação das duas grandes vertentes da língua portuguesa, no caso em concreto aquela utilizada por Portugal e pelos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e a outra existente no Brasil. A ideia era uma aproximação ao que Espanha e a América Hispânica haviam feito, isto é, tornar possível a existência de uma só escrita unificada.
No primeiro estudo ao assunto, datado de 1990, de uma lista de 110 mil palavras, apenas 1,6% seriam alteradas em Portugal e PALOP, sendo que no Brasil tal percentagem baixava para apenas 0,5. Porém, mais recentemente, em 2008, uma análise mais alargada, no caso em concreto a 135 mil palavras, efectuada pelo “Instituto de Linguística Teórica e Computacional de Lisboa”, já se falava em 4% de alterações no global.
Como se vê, pese embora a participação activa de linguistas, académicos, jornalistas, tradutores, escritores ou professores, entre tantos outros, não existe consenso quanto a este tratado da língua portuguesa, havendo quem aponte várias falhas e alguma ambiguidade na feitura do próprio texto do acordo.
 
Precedentes
Por mais incrível que tal facto possa parecer podemos remontar a génese deste novo acordo ortográfico a um período temporalmente tão longínquo quanto o início do século XX, mais concretamente o ano de 1911 quando, seguindo-se à implantação da República no nosso país, se fez grandes mudanças a todos os níveis, incluindo a parte escrita. A partir desse momento, a ortografia nacional mudou radicalmente, deixando-se para trás a redacção de palavras como lyrio, Thomar ou ortographia para passarmos a lírio, Tomar e ortografia. Deste modo, libertava-se a grafia da sua íntima ligação que tinha por base os étimos latino e grego. A esta remodelação chamou-se “Reforma Ortográfica de 1911”.
Por seu turno o Brasil prosseguiu utilizando a escrita antiga, o que levou, nos anos seguintes, a tentativas – sempre frustradas – de entendimento entre a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras, no tocante a uma reunificação linguística. Após a impossibilidade de um acordo em 1931, o ano de 1940 marca uma primeira decisão em Portugal, a que veio a suceder-se, no Brasil algo similar três anos depois. Como tal, Portugal ratificou o “Acordo Ortográfico de 1945”. Porém, no país-irmão tal não sucede tendo em conta o chumbo que o Congresso Nacional Brasileiro deu ao diploma, optando ao invés pelo “Formulário Ortográfico de 1943”.
Porém, e como a desunião linguística prosseguia, novas tentativas tiveram lugar, tal como o acordo alcançado em 1971 (Brasil) e 1973 (Portugal), no qual se suprimiram os acentos gráficos responsáveis por uma elevada percentagem das diferenças linguísticas (por exemplo, a palavra somente perdia o acento que envergara até então).
Mas a ambição não havia sido satisfeita na sua plenitude e ocorreram duas novas tentativas, que falharam redondamente. A de 1975 não teve seguimento devido à convulsão política e social relacionado com o período do pós-25 de Abril de 1974, ao passo que a proposta de 1986 foi rejeitada por elementos dos dois países devido à supressão de acentuação gráficas nas palavras esdrúxulas.
Por aqui podemos facilmente perceber as dificuldades inerentes a qualquer mudança na ortografia da língua portuguesa, pelo que a consequência foi a manutenção das múltiplas diferenças. Apenas em 1988, o “Anteprojecto de Bases da Ortografia Unificada da Língua Portuguesa” pareceu dar novo alento ao processo de unificação e, de certo modo, foi a antecâmara do acordo que teve lugar dois anos depois.
Reunidos na Academia das Ciências de Lisboa, entre 6 e 12 de Outubro de 1990, estiveram os vários países falantes do português, chegando-se a um acordo há muito ansiado. Uma cláusula em particular, do texto final, levantava porém algumas dúvidas. No artigo 3º previa-se a entrada do novo acordo ortográfico a 1 de Janeiro de 1994. No entanto, o facto de apenas três países o terem ratificado – no caso, Portugal (1991), Brasil (1995) e Cabo Verde – tal intenção foi novamente adiada.
Oito anos após o acordo, nova reunião, desta feita na cidade da Praia (Cabo Verde), de onde surgiu um “Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”, o qual prescindia de uma data concreta para a sua entrada em vigor. No entanto, e apesar desta crucial alteração, apenas três países o ratificaram – exactamente os mesmos que o haviam feito anteriormente.
Quiçá provocado pelo arrastamento deste processo negocial, o próximo encontro, que teve lugar em Julho de 2004, terminou com uma nova indicação: desta vez seria necessária apenas a ratificação de três membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para que o acordo fosse uma realidade. Num texto conhecido como “Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa”, de realçar ainda a adesão de Timor-Leste.
Estava aberto o caminho para que as mudanças ortográficas se efectivassem. E é aqui que se reacende a polémica, havendo quem defendesse que tal era incorrecto, pois a obrigatoriedade, de todos os países signatários o ratificarem, era total, ao passo que outra visão teórica acreditava que o acordo não possuía nenhuma incorrecção na sua feitura.
Ora, atendendo que o Brasil o ratifica logo em Outubro de 2004, secundado por Cabo Verde em Abril de 2005 e São Tomé e Príncipe a 17 de Novembro de 2006, pensar-se-ia que não tardaria até que a sua aplicação sucedesse. Porém, de forma unânime entendeu-se que não faria sentido avançar-se para algo envolvendo a língua portuguesa sem a ratificação de Portugal.
Como tal, a 16 de Maio de 2008, a Assembleia da República nacional ratificou este “Segundo Protocolo Modificativo”, possibilitando então um consenso mais generalizado (refira-se que também Angola dava, ao mesmo tempo, os primeiros passos no sentido de prepara-se para a entrada em vigor no novo acordo). O tal passo final para a entrada em vigor do tratado acontece a 15 de Novembro de 1008, após uma reunião com a presença dos chefes de estado e do governo dos PALOP.
Logo em Março de 2009, a Academia Brasileira de Letras publicou o “Vocabulário da Língua Portuguesa” (VOLP), com 381 mil entradas, algo considerado fundamental enquanto texto explicativo. Em Portugal, enquanto se aguarda por igual fonte de informação a publicar, provavelmente, pela Academia das Ciências de Lisboa, algumas editoras vão dando à estampa pequenas obras de pesquisa relativamente a este novo acordo ortográfico.
 
As alterações mais importantes
Apesar das 21 bases ortográficas que constam do texto do acordo, existem algumas que, pela sua frequência de utilização, se tornam mais relevantes para o dia-a-dia de todos nós. Vejamos então algumas dessas mudanças que surgirão com o novo acordo.
Em primeiro lugar, o alfabeto passa de 23 para 26 letras, incluindo W, K e Y (ainda que de uso restringido a abreviaturas e palavras de origem estrangeira e seus derivados). Em segundo lugar, os meses do ano e os pontos cardeais passam a ser redigidos em letras minúsculas. Para além disso, poder-se-á usar maiúsculas ou minúsculas nos títulos de livros, excepto na primeira palavra que terá de ser escrita obrigatoriamente com letra maiúscula. O mesmo sucede nas expressões de tratamento, nos nomes de sítios públicos (como “praça da república”) e nos nomes de disciplinas científicas.
Em quarto lugar, e apesar da distinção entre ch e x, mantém-se a diferença nas palavras que a tradição consignou, como champô e xampô. Outro aspecto relevante é a supressão do trema, excepto em nomes próprios e seus derivados. Entre as excepções mais importantes encontram-se palavras que mantêm dupla grafia (como caráter e carácter) ou dupla acentuação (económico/econômico). Um sétimo aspecto a ressalvar é a supressão de acentos gráficos em palavras como pára ou pêlo. Já no Brasil, termos como abençoo ou ideia deixam se ser acentuados.
No que diz respeito à hifenização, as mudanças também são notórias. Este mantém-se nas seguintes situações: nos compostos, locuções e encadeamentos vocabulares, assim como quando o segundo elemento da frase começa por H, quando tem a mesma primeira letra ou quando o falso prefixo termina com M e o segundo elemento começa por M ou N. Alguns exemplos são: anti-higiénico, hiper-resistente ou circum-navegação. O hífen é ainda suprimido em expressões como hei-de ou hás-de, dado que neste caso ali a preposição funciona como mero elemento de ligação ao infinitivo com que se forma a perífrase verbal. Por último, o hífen desaparece quanto o pseudo-prefixo termina em vogal R ou S, em que dobra a consoante. Exemplo: antirreligioso.
Em suma, algumas mudanças serão: óptimo que passa a ótimo; Egipto tornado em Egito e fim-de-semana transformado em fim de semana. Porém, facto/fato e génio/gênio continuaram a ter dupla grafia.
 
Prós e Contras
Tendo em conta as duas visões opostas, quanto ao acordo, conheçamos os seus principais argumentos. Aqueles que defendem a nova ortografia acreditam piamente que esta unificação de 98% do léxico é essencial para evitar a deriva actual. Crêem ainda na diminuição de custos das edições em ambos os países que agora se tornam unívocas. Procuram, com o acordo, evitar a fragmentação de um idioma que na realidade é comum, a par de uma aproximação da oralidade à escrita e, consequentemente, à necessária evolução da língua.
Para além disso deixa de haver necessidade de textos duplicados nos documentos oficiais. Julga-se que um aumento de circulação de livros poderá ser uma realidade, tal como a utilização de um vocabulário técnico-científico comum, o que permitirá maiores parcerias entre institutos académicos e científicos em geral.
A juntar a todos estes argumentos, os defensores da aplicação do novo acordo informam a necessidade, para organizações internacionais onde o português é língua de trabalho, de uma uniformidade da grafia, ao passo que Portugal e Brasil poderão dar, em conjunto, um novo impulso à difusão da língua portuguesa a nível mundial e, obviamente, ao seu fortalecimento junto dos PALOP.
Em suma, acreditam que esta modernização era, acima de tudo, uma inevitabilidade, tal como sucedeu com outras línguas, como a espanhola, a francesa ou mesmo o árabe.
Já no tocante aos que estão contra a aplicação do novo acordo ortográfico, apoiam-se nos seguintes fundamentos: antes de mais, a proposta, nos seus moldes actuais, é insuficiente para atingir os seus reais propósitos, atendendo ao grande número de excepções à regra. Defendem tratar-se de uma evolução contranatura da língua. Frisam ainda da não necessidade de tal facto pois, ao longo dos anos, o entendimento linguístico entre Portugal e Brasil havia sido perfeito. Na vertente económica, frisam que os custos a suportar serão tremendos, incluindo a confecção de novos dicionários, gramáticas e livros escolares, para além da forçosa reaprendizagem da nova grafia por milhões de pessoas e do necessário reajustamento dos livros das editoras. Apontam ainda que o inglês, apesar de não ser unificado, continua a  ser a língua internacional usada prioritariamente.
 
Ponto da situação
Em termos gerais, o novo acordo ortográfico já se encontra em vigor em países como Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, pelo facto de terem sido signatários do tratado. No Brasil, inclusivamente, pretende-se que os livros didácticos de 2010 contenham todas as mudanças ortográficas estipuladas, com uma adaptação plena, no máximo, até 2012. Órgãos de comunicação social como a “Folha de São Paulo” ou “O Estado de São Paulo” já se encontram totalmente adaptados à nova grafia.
Já em Portugal, a polémica continua. Apesar de prevista a entrada em vigor do novo acordo para finais de 2007, só em Maio de 2008 o Presidente da República Aníbal Cavaco Silva se empenhou na prossecução do estipulado, ratificando, então, o protocolo a 21 de Julho de 2008, e prevendo a adaptação, em Portugal, ao novo acordo num prazo de seis anos.
Apesar das divergências, entre as quais destacaríamos a petição online intitulada “Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico” – a qual obteve enorme adesão – o certo é que alguns órgãos de comunicação social já se encontram a utilizar a nova grafia, no caso o jornal desportivo “Record”, o diário regional conimbricense “Despertar” e o matutino “Correio da Manhã” (neste último caso, porém, de forma gradual).
Recentemente, o Ministro de Cultura, José António Pinto Ribeiro, desejou que a aplicação do acordo fosse uma realidade, em termos oficiais (assim como em todos os meios de comunicação social) já a partir de 1 de Janeiro de 2010, sendo que nas escolas tal sucederá após o ano lectivo de 2010-2011.
Apesar de faltar, ainda, a edição de um Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa, entre Portugal e Brasil – o que deverá ocorrer antes do final do presente ano – o certo é que já poucos terão dúvidas quanto à inevitabilidade, a curto prazo, destas mudanças linguísticas.

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